Sábado, 30 de Maio de 2009

Hace Camino al Andar


Caminante,

son tus huellas

el camino y nada más;




Caminante,


no hay camino,


se hace camino al andar.


Al andar se hace el camino,


y al volver la vista atrásse


ve la senda que nunca


se ha de volver a pisar.



Caminante

no hay camino


sino estelas en la mar.




Proverbios y cantares (Antonio Machado)

Sábado, 16 de Maio de 2009

Tempo para Viver

Contei meus anos
e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquela menina que
ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ela chupou displicente
mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados
Não tolero gabolices.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem
eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos
Não participarei de conferências que estabelecem prazos
fixos para reverter a miséria do mundo.
Não quero que me convidem para eventos de
um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis
para discutir estatutos, normas,
procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando
em reuniões de "confrontação",
onde "tiramos fatos a limpo".
Detesto fazer acareação de desafetos
que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:
"as pessoas não debatem conteúdos,
apenas os rótulos".
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos,
quero a essência,
minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia,
quero viver ao lado de gente humana
muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
não foge de sua mortalidade,
defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado de Deus.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes,
nunca será perda de tempo.

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Um Quase Retorno


A todos os amigos e blogueiros de longa data, peço sinceras desculpas pela ausência. Infelizmente estou passando por problemas sérios de saúde que me impossibilitam de manter Dominus atualizado.



Mesmo assim agradeço enormemente a atenção de vocês, pessoas especiais e incríveis que não se esqueceram de meu cantinho, e eu espero, de mim também não.



Um beijo no coração de Jaya e Alex E!, essas duas pessoas lindas que se eu pudesse, daria pessoalmente um abração.



Outro abração para Manda Bia e Nanah, essas duas paulistas geniais. Um carinho especial para Clecia, Marco (e suas inesquecíveis ternuras!) e pra Teca, que eu espero já tenha voltado pra nossa terrinha. Mais um abraço pr'o poeta mineiro Átila (ele lançou seu primeiro livro e quem quiser saber mais dê uma espiadinha
AQUI ou AQUI). Vale à pena!



Um abraço carinhoso a todos os demais... assim que eu puder, mando notícias também a vocês.





Com carinho,

Dominique



Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Hoje


"Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer

antes que o relógio marque meia noite.

É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo

ou agradecer às águas por lavarem a poluição.

Posso ficar triste por não ter dinheiro

ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças,

evitando o desperdício.

Posso reclamar sobre minha saúde

ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar dos meus pais

por não terem me dado tudo o que eu queria

ou posso ser grato por ter nascido.

Posso reclamar por ter que ir trabalhar

ou agradecer por ter trabalho.

Posso sentir tédio com o trabalho doméstico

ou agradecer a Deus.

Posso lamentar decepções com amigos

ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.

Se as coisas não saíram como planejei

posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente

esperando para ser o que eu quiser.

E aqui estou eu,

o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim."





Charles Chaplin

Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Auto-Sabotagem

Anne sentiu mais uma vez o frio no estômago. Disse a si mesma que não podia desistir novamente, mas a barriga continuava a dar voltas. Era terceira vez que tentava, tinha consciência disso. Deveria continuar. E deu mais um passo. Começou a suar frio. Queria fugir dali, na verdade. Ah, como queria! Mas deu mais um passo.
Anne era uma jovem inteligente, talentosa e promissora, mas não se achava tudo isso. Ao contrário, Anne via-se como uma pessoa medíocre, sem futuro, que jamais conseguia ir muito além no que desejasse fazer. Desde que se formara na faculdade, Anne trabalhava na loja do pai. O lustre de vidro e metal, tão delicado e engenhoso, obra de uma mente talentosa, ficava empoeirando na vitrine da loja de ferragens. Ela nunca teve coragem de mostrá-lo a alguém que realmente pudesse valorizar seu trabalho. E assim, ele, o lustre, e ela, a Anne, viviam escondidos entre as ferramentas de jardinagem e pás, enxadas e carrinhos para construção.
Anne deu mais um passo e lembrou-se de quando tentou uma vaga de designer de ambientes num escritório de arquitetura e construção. Sabia que, naquele momento, a vaga seria sua. Fora a melhor aluna do curso. Antes disso, ainda na infância e adolescência, tivera uma facilidade incrível em moldar os metais e outros materiais criando obras únicas e originais. Seu pai tinha enorme orgulho do que ela criava e fora o incentivador para que se expusesse o belo lustre na vitrine da loja de ferragens. Imaginava que assim serviria de incentivo para Anne perceber seu próprio talento.
Mas Anne nunca pensara como ele, nunca vira a si mesmo exatamente como o pai via. E, por isso, mesmo com seu trabalho naquele lugar, e com várias pessoas dizendo o quanto ele, o lustre, era belo, ela preferia continuar por detrás do balcão da loja apenas atendendo os clientes. Anne faltara à entrevista de empregos da vaga de designer...
E deu mais um passo.
No âmbito emocional, as coisas não caminharam muito diferentes do profissional. Anne tivera muitos namorados. Todos afinados com suas idéias, seus sonhos e seus princípios. Anne parecia ser uma menina de sorte, pois eram raros - mas, lógico, presentes - os que desacordavam, não combinavam com ela. Assim, Anne, depois de um tempo chegou "às vias de fato" e resolveu subir ao altar para se casar...
A primeira vez em que tentou realmente chegar ao altar, não passou da área dos bancos e saiu correndo igreja afora. Fora muito difícil para ela entender sua atitude, mas achava que não estava preparada para aquilo. Por isso, depois de um tempo, resolveu tentar novamente logo depois de terminar a faculdade. Talvez da primeira vez dera errado porque ainda era muito nova. E, então, reiniciou os preparativos pra uma nova cerimônia onde depositou toda sua certeza de felicidade. O dia da celebração chegou. A igreja estava cheia. Desta vez, havia muitos curiosos que ficaram sabendo de sua primeira escapada do matrimônio e, por isso, se postaram nos pesados bancos de madeira e esperaram pelo desfecho daquela história.
Lindamente vestida Anne entrou na igreja lotada e, no mesmo instante, sentiu as pernas amolecerem. O corredor até o altar parecia longo demais para ela. Até chegar lá precisava antes decidir os próximos cinqüenta ou sessenta nos de sua vida. E assim, ela viu-se dos primeiros cinco anos felizes até os últimos dez da separação. Viu-se com filhos e achou que não conseguiria ser uma boa mãe. Viu-se como a esposa de alguém e achou que não nascera para cuidar de ninguém. E viu seu futuro marido, com o estômago protuberante, sentado na poltrona - dele - na sala, vendo futebol na tevê e tomando cerveja sem sequer notá-la ao seu lado.
Anne travou antes do primeiro passo. A música parou a um sinal do maestro, e todos olharam apreensivos para ela. Anne sabia que devia continuar, mas não conseguiu. Deu a meia volta e fugiu da igreja...
Voltando ao presente, Anne pensava em tudo isso enquanto tentava chegar ao altar. Pela primeira vez havia conseguido sair da área dos bancos e estava bem perto, muito próximo mesmo de chegar a ele. Olhou novamente para o homem que escolhera para seu esposo. Ele era tão lindo, tão inteligente, tão amável e compreensivo com ela. Seu estômago embrulhou e Anne pensou nele chegando do trabalho, sequer dando-lhe um beijo, sentando nalgum lugar para tirar os sapatos e perguntando grosseiramente sobre o jantar. Era difícil, mas possível, pensar naquele lindo e garboso rapaz se tornando um insuportável ogro. E Anne não mais conseguiu andar para frente. O noivo pareceu pressentir o que aconteceria pois parou de sorrir e a olhou preocupado.
Anne nada disse a ele além de menear a cabeça, fitando-o com tristeza. Então, jogou o buquê longe, correu desembestada para a porta. Saiu da igreja e não mais voltou...

Anne poderia ser personagem de um filme de comédia, bem escrito, bem roteirizado e que nos agradasse assistir numa tarde de folga. Mas Anne é um exemplo do que a auto-sabotagem faz com uma pessoa. Muitas vezes, sentimos medo de buscar novos horizontes, medo de falharmos diante destas novas perspectivas, pois a cobrança em cima de nossos acertos acaba sendo massificante. Vivemos em uma época em que somos obrigados a nos renovarmos o tempo todo e muitas vezes sentimo-nos inaptos a correspondermos ao que esperam de nós. E assim, fantasiamos desfechos ruins, antecipamos situações com finais infelizes. E, depois de um tempo agindo assim, podemos correr o risco de nos acostumarmos a fugir, sempre, daquilo que esperamos que dê errado.
Dessa forma, devemos parar e refletir sobre quem somos e o tipo de vida que queremos para nós. Porque ser feliz é buscar por caminhos que rompam com o que nós vivemos, é nos aventurarmos a sermos diferentes do que rotineiramente somos, é entendermos que não podemos e nem devemos ter medo de errar. Errar é humano e intrínseco para que possamos ganhar experiência. Além disso, não devemos temer tentar, pois acordar de amanhã e sair da cama é uma tentativa de fazer aquele dia específico ser diferente, ser novo.
Por isso, cada um de nós deve sempre lembrar que nunca é tarde para errar - e aprender -... mas também nunca é tarde demais para se tentar, mais uma vez.


Texto livremente baseado no filme "Noiva em Fuga".

C.V.

Domingo, 20 de Julho de 2008

Um Novo Ciclo...

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina...

Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.
Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.
Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando.

E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?...


Charles Chaplin

Domingo, 13 de Julho de 2008

A Batalha


Havia certa confusão logo na entrada de seus pensamentos. Não sabia se aquilo era amor ou paixão. E enquanto na escada da iluminada porta de seu coração cada emoção pretendente tentava de diversas formas dissuadi-la de sua importância, um sorrateiro estranho esgueirou-se até a janela mais baixa. Chamava-se obsessão e quebrando a vidraça em mil pedaços multicores invadiu seu território, ocupou-o e declarando-o parte de seus domínios, obrigou-a a reconhecê-lo como seu senhor.
Foi um grande escarcéu aquela notícia. O amor engoliu o choro, mas permitiu que dois longos fios de lágrimas escorressem por seus olhos. A paixão, mais impulsiva, esbravejou que jamais aceitaria aquilo e, descontrolada, rasgou-se toda de insânia apaixonada. A confusão atraiu outros sentimentos. E logo, em conflito, eles se engalfinhavam buscando a supremacia do pobre coração dela. Diante de tal balbúrdia, o ciúme deu as caras e destilou seu amargo veneno sobre a paixão e a amizade (que aparecera para conciliar a contenda). Diante disso, não havia mais salvação. Os sentimentos, anestesiados pela desconfiança, se renderam à derrota e cada um deixou a entrada do coração desistindo da briga. Nem mesmo a paixão permitiu-se ficar. Era de sua natureza ser passageira e, acompanhada do estranho, seguiu seu caminho em busca de outro coração.
Abandonada a entrada de seus pensamentos, apenas a solidão permaneceu, olhando melancólica para aquele templo de emoções. Recostou-se na porta e em silêncio chorou a dor dela. Ao longe, ela,a dona daquele território, via o amor indo embora. De braços dados com a insegurança e a indecisão de um outro coração que jamais fora capaz de perceber a solidão à porta do seu. Com o tempo, a passagem perdeu o verniz. Tornou-se opaca, pardacenta e sem tom. As belas flores, que antes enfeitavam sua escadaria, se tornaram pequenos e mirrados ramos secos. E apenas o vento do vazio fustigava a entrada de seus pensamentos.
Anos se passaram assim, a solidão enterrada até a raiz num dos degraus e a entrada selada inexoravelmente. Em algumas ocasiões, a esperança passava para dizer um olá à dona do coração; mas jamais parava para trocar não mais do que duas palavras. Então, um dia, as luzes se apagaram e até a solidão teve de abandonar o pórtico antes luminoso e encantado.
Ainda hoje a porta se encontra em algum lugar, perdida por entre as brumas do esquecimento, sob trepadeiras e ervas daninhas que ocultam sua entrada. E se alguém conhecer o endereço da esperança, mandem esta carta a ela. Para que se lembre que a última a perecer nunca é a solidão, mas sim a expectativa que existe em cada um de nós.



C.V.

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

Do Amoroso Esquecimento


Eu, agora - que desfecho!



Já nem penso mais em ti...



Mas será que nunca deixo



De lembrar que te esqueci?





Mário Quintana

Sábado, 28 de Junho de 2008

Amar é dar asas...


Quando aprendemos a amar as pessoas, aprendemos a dar-lhes liberdade...
Demora-se uma vida inteira pra se entender aquilo que somente as perdas nos ensinam. As pessoas não são eternas e por isso é preciso aprender a deixá-las livres como pássaros. É um exercício difícil, por vezes quase impossível; principalmente quando falamos de amor. Existe em cada ser humano uma necessidade de possuir o que se ama. Não conseguimos amar sem compreendermos também que somos de alguém e que alguém é nosso. Infelizmente é esta ilusão – e digo ilusão, pois nos esquecemos da perenidade de nossa existência neste mundo – que nos leva a seguir em frente num relacionamento, pois se não sentirmos a segurança da posse (meu namorado, minha mulher, meu amigo...) parece que não nos sentimos participantes verdadeiros de algo importante; ou, ainda, seria como se não participássemos verdadeiramente da vida do outro. Porque a idéia de ter alguém que a qualquer momento pode ir-se destrói qualquer sonho de conto de fadas.
E, sejamos realistas, nossa sociedade é idealizada num conto aonde existe uma princesa, um príncipe e uma bruxa malvada (que nos dias de hoje não necessita ser propriamente a madrasta). E assim caminhamos idealizando as pessoas, os amores e o futuro. Sonhamos com homens inteligentes, responsáveis, corajosos, seguros, divertidos e atenciosos (onde o futebol não é mais importante que o amor da vida dele); ou com mulheres meigas, carinhosas, compreensivas, sempre belas (mesmo às sete da manhã quando acabaram de acordar). A única coisa imperfeita no sonho é que se trata do mundo real...
As pessoas não se importam com aquilo que lhe interessa da mesma maneira que você se importa. Os homens demonstram serem bem diferentes do sonho, as mulheres não mais querem ser as princesas à espera numa torre. Os papéis na sociedade moderna não apenas se inverteram, ou mudaram, também mostram que nem sempre alguém quer ser de alguém para sempre. Ficar passou a não ser apenas "coisa de adolescente", virou reação à busca pelo "par perfeito", seja em que idade for. E isto acontece pura e simplesmente por não mais caber num mundo como o nosso o ideal do relacionamento perfeito, seja ele uma amizade ou algo mais.
As pessoas passaram a não mais perceberem a vida como algo pré-destinado. O casamento não é mais o desfecho no final do filme da vida real. Existe vida (e muita) após o "The End", e, para nós, meros mortais, seres sentimentais e cheios de amor para ofertar, é difícil sermos constantemente presas do sentimento de finitude e de necessidade de "segurar" ao nosso lado pelo máximo de tempo possível todos aqueles que amamos. O problema é que quanto mais prendemos, quanto mais possessivos nos tornamos, mais vemos as pessoas se afastarem de nós; ou, ainda, permanecerem ao nosso lado não pelos sentimentos certos, mas por medo, costume, ou apenas por se sentirem tão inseguros e perdidos quanto nós.
E assim, perpetuando o erro, nos ligamos a alguém sem perceber que o que importa não é somente a ligação, mas o momento que se vive. Se o passado não é capaz de retornar para ser revivido ou alterado, e nem o futuro nos dá qualquer pista do que nos reserva, devemos pensar em viver o presente aonde estão quem amamos, aonde está nosso verdadeiro momento de vida.
E, para conseguir vivenciar esta vida presente, é necessário, antes de tudo aprender a abrir mão do apego e do medo. Entender que as pessoas vão e vêm e que jamais nada permanece inalterado. E nem por isso, vamos ser infelizes.
Vamos aprender, antes que cada perda nos ensine, a amar dando liberdade e espaço a cada pessoa que amamos. Vamos partilhar de cada momento com estas pessoas, nossos amigos, nossos amores, mas vamos também ser realistas; sejamos, sim, racionais. Esqueçamos o conto de fadas e vivamos com os personagens reais, cheios de defeitos e qualidades, que sempre vão estar em nossos pensamentos e lembranças; mas que para assim permanecerem como nossos, em nossos corações, precisam ter asas para alçarem seus vôos e seguirem para onde quer que o vento os leve.
Amar é dar asas, é acompanhar o vôo e admirar, até o fim, a paisagem...


C.V.

Domingo, 22 de Junho de 2008

Amigos


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências. A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torta para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar.Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.



Vinicius de Moraes


Este texto é dedicado a cada amigo que reconheço neste meu caminhar. A cada um de vocês que aparece naquela listinha singela ali do lado; a cada um que esbarrou em mim na vida real ou virtual. Pois mesmo que eu não tenha muito tempo para dizer a cada um de vocês o quanto são importantes, podem ter certeza de que vocês estão cravados, enterrados, costurados, mais unidos que irmãos siameses dentro do meu coração. Nesse lugar, sim, sempre cabe cada um de vocês, meus caros amigos, com folga...

C.V.